Edilza das Imagens

edilza

Sofrer preconceito, fugir de casa e encontrar no mercado municipal de Aracaju uma forma de melhorar a vida. Com um sorriso no rosto e um olhar sereno, Maria Delzuita Soares da Silva, popularmente conhecida como Edilza, começou sua vida de comerciante cedo. Aos 14 anos fugiu com o namorado, Santiago, com quem construiu uma família e expandiu seus negócios. Hoje, com 50 anos de mercado, Edilza conta com alegria sua história de superação, após trancos e barrancos, para conseguir seu espaço no mundo das vendas.

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CORAGEM PARA RECOMEÇAR

A comerciante viu o seu ponto de venda com o marido ser levado pela ventania que causou o desabamento do mercado das verduras, conhecido como Trapiche, em 1977. Fato que marcou sua vida com alegria e tristeza: sua filha mais velha, Silvaneide, nasceu na véspera da tragédia. A ventania se formou no Rio Sergipe e atingiu o mercado das verduras, por volta das sete horas da manhã do dia 19 de junho, deixando 9 mortos e 145 feridos.

                                 “Eu ganhei uma menina na quinta-feira, onze horas da noite, e sete horas da manhã o redemoinho ou furacão, não sei como vocês chamam, veio e derrubou tudo”.

Edilza e o marido encontraram forças pra recomeçar. Passaram dez anos ao lado do antigo mercado, onde montaram sua barraca e retomaram as vendas. Mas o interesse de Edilza mudou quando as ervas começaram a chamar sua atenção e decidiu trocar as verduras pelas ervas e produtos de umbanda.

VENDAS DAS IMAGENS E A BUSCA POR TRANQUILIDADE

Com a reforma da região dos mercados, em 1998, fez seu cadastro para ganhar um Box no mercado e foi contemplada. Lá iniciou seu negócio com as ervas. Quando sua filha mais velha adoeceu, quis presenteá-la com um ponto de vendas no mercado, negociando artigos religiosos. Ao contrário dos outros comerciantes, conta com orgulho o quanto a reforma do mercado melhorou a aparência do prédio que antes era para vendas de carnes, farinha, artesanatos.
                                 “Com a reforma, ficou tudo mais bonito, melhor, alguns dizem que ficou ruim, outros que virou bagunça, mas eu gostei. Ele apenas dividiu tudo, carne ficou no seu lugar, verduras, artesanato”.

Na busca por tranquilidade, trocou de lugar com a filha, Silvaneide, que ficou negociando ervas e ganhou popularidade no mercado como Galega das Ervas. Edilza passou a vender artigos religiosos. Viu nestes uma forma de ficar mais quieta de todo movimento que tem no Mercado Thales Ferraz.

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Hoje, no box 63 do Mercado Antônio Franco, com o nome Santo Antônio, vende variedades de artigos religiosos. Seus fornecedores vêm de vários municípios sergipanos, como Simão Dias, Pirambu e Itabaiana.

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CONQUISTAS

Com orgulho fala das conquistas adquiridas através de todo esforço e dedicação, com cinco filhas seguindo seus passos no Mercado, cada uma com sua loja. Com o trabalho no mercado, tem ajudado a pagar a faculdade dos netos. Conta como é feliz vivendo no mercado, mesmo depois da perda do marido, em 2009. Não desistiu, trabalhou com os filhos para conquistar tudo que tem e continuar colhendo as conquistas.

                                “Não temos riqueza, mas temos saúde e todos estão trabalhando. Aqui é um trabalho que não ‘enrica’, mas você consegue o pão de cada dia”, revela a comerciante.

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* Reportagem – Katlen Bomfim

* Fotos – Anna Guimarães

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